Uma vacina 100% brasileira contra a forma de malária que predomina no país recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar testes em humanos. Batizada de Vivaxin, a candidata a imunizante foi desenvolvida pelo CTVacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.
A autorização foi concedida na quarta-feira (7) e abre caminho para o início da primeira fase dos estudos clínicos. O objetivo é avaliar a segurança da vacina e a resposta imunológica dos voluntários.
A Vivaxin foi desenvolvida para combater o Plasmodium vivax, espécie do parasita responsável pela maior parte dos casos de malária registrados no Brasil. Até o momento, não existe vacina disponível para uso da população contra essa espécie em nenhum país.
Testes serão realizados com 48 voluntários
O estudo clínico de fase 1 prevê a participação de 48 pessoas saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção por malária. A pesquisa será realizada no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
Os pesquisadores vão avaliar diferentes dosagens da candidata vacinal, incluindo grupos que receberão a Vivaxin e outros que receberão placebo. O esquema prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas.
Nesta etapa, serão observadas a segurança, as reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica. Os resultados ajudarão a definir os próximos passos da pesquisa, mas ainda não serão suficientes para comprovar a proteção contra a doença.
Autorização da Anvisa marca nova etapa
A decisão foi formalizada pela Resolução-RE nº 3.956, de 6 de outubro de 2026. O documento aprovou duas solicitações relacionadas ao desenvolvimento da Vivaxin: o dossiê de desenvolvimento clínico do medicamento e o processo de pesquisa clínica.
O projeto conta com apoio de instituições públicas de fomento à ciência e à saúde, entre elas o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Saúde.
A autorização permite avançar para os testes em humanos, mas a vacina ainda precisará passar pelas etapas de avaliação clínica necessárias antes de uma eventual aprovação para uso na população.











